sexta-feira, 2 de setembro de 2011

#FORÇARICARDOGOMES

Não importa se o AV é C ou E, da no mesmo. A gravidade do acidente vascular do treinador do Vasco da Gama, Ricardo Gomes a gente deixa para os especialistas. O que deve ser destacado nesse momento é o derrame de mensagens positivas a favor do técnico cruzmaltino. Uma ernorme corrente pra frente foi formada na internet. Não há uma ser humano, nesse país do futebol, que não se sensibilizou aos ver aquela cena a beira do castigado gramado do Engenhão, no último clássico das multidões. Essa pelo menos foi a sensação que tive, ao ver o ex zagueiro Ricardo Gomes passar mal pela segunda vez no comando de um time.
Mas infelizmente, as regras estão cheias de exceções. A começar dentro do próprio Estádio Olímpico João Havelange. O árbitro da partida, Péricles Bassols, sequer parou o jogo para o socorro ao treinador vascaino. Em entrevista, disse não ter percebido a entrada da ambulância, que demorou a chegar. Aliás, UTI móvel de fachada. A queda de rendimento dos jogadores do Vasco foi nítida. Mas para o juizão, tudo normal, segue o jogo.
E o que realmente destoou foi a reação de meia duzia de flamenguistas que gritaram contra Ricardo Gomes. Tiveram a infeliz idéia de bradar: "Uh vai morrer". Em um momento extremamente delicado uma minoria resolve chamar atenção em meio a maioria consternada. Da torcida rubronegra pode se esperar de tudo, desde a criatividade ao cunhar bordões como: Obina é melhor do que Eto'o. Até a falta de inspiração ao parodiar uma música usada na propagando do regime militar brasileiro.
O importante nessas horas é reconhecer que Ricardo Gomes contribui com a história do futebol brasileiro, como bom zagueiro que foi na seleção e nos clubes que defendeu. Mais do que um "beque classudo", um atleta de caráter. E que começava a se despontar na carreira de treinador. Não da pra saber se Ricardo volta a comandar o Vasco, mas desde já estamos todos na torcida pela recuperação plena do grande Ricardo Gomes. #forçaricardogomes

HENRIQUE TERRA 02-09-11

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

CUSTO vs. BENEFÍCIO

No Brasil este duelo é um dos mais tradicionais e antigos. O Custo tem larga vantagem sobre o Benefício. O torcedor mais realista já não vê mais rivalidade no clássico, mas sim uma disparidade. Há uma diferença absurda entre o número de vitórias do time do Custo sobre a equipe do Benefício. Os investimentos ao CFC (Custo Futebol Clube) sempre foram maiores. É dinheiro que sai de onde a gente menos imagina. E até de onde todos sabemos, do nosso bolso. Fonte perene de renda para o Custo. Enquanto isso, o Benefício, mesmo tendo maior torcida, nunca foi grande.

Com a chegada da Copa do Mundo no Brasil, a corrente para uma fusão dos dois times é grande. Mas no país do futebol, todos sabem que Custo e Benefício jamais andarão juntos. Os dirigentes e torcedores do Vergonhão, como é conhecido o Custo Futebol Clube, não costumam se misturar aos apaixonados pelo Benefício. São pessoas que não aprenderam a dividir, repartir a glória. Aliás, essa postura ilustra bem aquela velha máxima: uns com tanto outros com tão pouco.

Dia desses o Brasil recebeu a cúpula do futebol mundial para realizar o sorteio das eliminatórias da Copa. Uma festa de gala, muitos dirigentes e puxadores de saco do Vergonhão estavam presentes. Mas o que parecia ser um simples evento pré-Copa do Mundo, na verdade foi mais um ato de irresponsabilidade dos organizadores do mundial. A CBF tem 10 patrocinadores e 2 parceiros comerciais. Mesmo assim foram gastos R$ 30 milhões dos cofres públicos com o sorteio. Um custo deste tamanho gerou qual benefício?

A construção dos estádios para a Copa de 14 é uma piada de mau gosto contra o contribuinte brasileiro. Os custos das obras não param de elevar. A maior parte dos estádios vai ser construída com dinheiro público. Gastos que há três anos os governantes garantiram que não aconteceria. A cidade francesa de Bordeaux está construindo um estádio idêntico ao “Itaquerão”. O valor da obra não chega nem perto da metade que será gasto para construir o estádio do Corinthians. A Copa vem ai e enquanto isso o Custo segue goleando o Benefício no Brasil.

HENRIQUE TERRA

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Um Tostão de sabedoria

No dia 30/06/1999, três anos antes da seleção brasileira levantar o penta, uma promessa do futebol mundial mostrava o cartão de visitas com a amarelinha. Na Copa América do Paraguai, o Brasil duelava contra a Venezuela em Ciudad del Este. Aos 25 minutos do segundo tempo, com a fatura já definida, Alex deu lugar ao camisa 21 Ronaldinho. O resto da história todo mundo lembra, né? Chapéu, golaço, soco no ar, pois é. Há 12 anos atrás, Ronaldinho era apenas mais um menino atrevido que apareceu na base do Grêmio e que vira e mexe surge por ai.

Ao entrar em campo naquela noite, Ronaldinho tinha ao seu lado Rivaldo, Ronaldo, Amoroso, Cafu, Roberto Carlos, Emerson, Dida e eu não vou falar os demais porque até o Odvan tava nessa seleção. Mas o fato é que a ele só restava se divertir, mostrar o que ele tinha de melhor. A responsabilidade estava com as feras, os mais experientes. E essa é a regra, mas que agora virou exceção no futebol brasileiro. Quando Ronaldo chegou, ele tinha Romário, Bebeto, Dunga e mais um monte de monstro. Quando Pelé foi chamado, ele ficou no banco, quem mandava era Didi e cia.

Atualmente a responsabilidade está com as promessas. Jogadores que recebem essa definição, porque ninguém sabe se realmente serão os novos Romários, Ronaldos ou Rivaldos do futebol brasileiro. Não é justo, o Neymar carregar nas costas a seleção nesta Copa América da Argentina. O Pato não merece sair vaiado de campo ao ser substituído. O Paulo Henrique Ganso não tem que pagar sozinho pela falta de criatividade no futebol brasileiro nos últimos anos. Esses três jogadores, para não citar outros, mal completaram vinte e poucos anos.

Aliás, a melhor definição para esse momento da seleção está nas palavras do sábio Tostão, que essa semana escreveu na Folha de S. Paulo: “Quando jovens com grande talento, como Neymar e Ganso, chegavam à seleção, havia craques consagrados para ajudá-los. Aos poucos, eles conseguiam seu lugar. Agora, os dois são tratados como se já fossem estrelas da seleção, antes de terem sido”.


HENRIQUE TERRA

sexta-feira, 1 de julho de 2011

FUTEBOLFOBIA

Homofobia é o assunto do momento e nessas horas não da pra ficar em cima do muro. Claro que vou tirar meu time do armário e colocá-lo em campo para também participar dessa mesa redonda, cada vez mais polêmica. Ah, eu respeito a sua opinião, mas não quer dizer que devo concordar. O importante é ter mente aberta, livre de qualquer preconceito. Vamos aprender a respeitar a diversidade humana. O cruzeirense não tem sempre que desejar o mau ao atleticano. E vice e versa, afinal clássico é clássico. E essa rivalidade aflorada, esse ódio reprimido, a violência contra o adversário que cada vez mais tem espantado os torcedores dos estádios. Gerando uma, não assumida, fobia ao futebol por parte de muitos brasileiros.

Mas a maioria insiste em não assumir. Gremista brigando com colorado na arquibancada soa como a coisa mais natural, mas não. Ta errado! O torcedor adversário não é melhor e nem pior. Todos somos iguais, com opções diferentes. Mas a fobia ao futebol não cresce somente no Brasil. Até mesmo na Argentina, considerado um país mais aberto, há vários desfavores a bandeira do respeito. Tenho certeza, que muitas pessoas que estavam no Monumental de Nunez no último domingo, não voltarão a um estádio tão cedo. Assim como muitos paranaenses que já viram de perto um “atletiba”, ao final de jogo a sensação é a pior de todas.

Futebol é alegria, distração, não pode gerar uma fobia às pessoas. Estádio é local para extravasar, chorar e rir. Os adeptos do futebol estão precisando voltar ao tempo do Zezé, quando apenas se cogitava se ele era ou não. Não havia afirmação, discriminação. Olha a cabeleira do Neymar, será que é?

Brincadeiras a parte, mas o assunto é muito mais sério do que se imagina. O futebol tem sido cenário para várias manifestações de preconceito. Intolerância contra a raça mundo a fora, em pleno século XXI. No país, o que o Richarlisson escuta a cada jogo não é brincadeira. A perseguição ao jogador extrapolou as quatro linhas. Isso é preconceito. Pare e pense, você amante do futebol. Cada vez mais crianças, adolescentes e adultos estão virando as costas para o futebol no Brasil. O futebol brasileiro precisa evoluir, já!

HENRIQUE TERRA

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Só a vitória interessa

No dia primeiro de julho a Argentina volta a ser o centro das atenções no mundo do futebol. O início da Copa América não desperta interesse apenas no continente sul-americano, mas também no velho mundo. Os europeus vêem para observar e azarar os craques que vão disputar a competição. Mas como todo torneio de futebol na Argentina, o jogo, a bola e a torcida são apenas detalhes. Os interesses políticos insistem em falar mais alto. Este é um ano de eleições presidenciais no país. E para piorar o cenário, Julio Grondona, “dono” da AFA espera se eleger pela oitava vez como mandatário da CBF deles. Diante desses dois processos, não tem como deixar de associar a Copa América de 2011 ao mundial de 1978.

O título lá em cima é uma alusão ao lema da seleção argentina na Copa de 78. Idealismo passado pelo General Videla, presidente do país à época e bradado dentro do vestiário por César Luis Menoti, técnico da seleção hermana. O país atravessava uma enorme crise, um período ditatorial. A realização da copa era um desafio político já que a Argentina era alvo de críticas do mundo todo. França, México e Holanda ameaçaram não participar do mundial. A preocupação em mudar a imagem política do país era tão grande, que no fim da década de 70, os argentinos ainda não tinham TV em cores, mas todo o mundo acompanhou os jogos em imagens coloridas. O governo militar investiu pesado no sistema de transmissão das partidas para maquiar a imagem argentina mundo a fora.

Videla escondia os problemas do país atrás dos jogos da copa. Iludia o povo argentino com a paixão pela seleção de futebol. Um verdadeiro contraste. O tapete verde dos cassinos de Mar Del Plata causavam inveja nos gramados onde os craques desfilavam. Os erros de arbitragem a favor da Argentina só aumentavam as suspeitas sobre a influência do governo militar na competição. Somente a Argentina poderia ser a campeã. Às vésperas da Copa América, o país vizinho passa por muitas dificuldades. Abandonou a ditadura, mas os antigos ideais ainda assombram a margem do Rio Prata.

As províncias que receberão os jogos são governadas por partidários da presidente Cristina Kirchner. A popularidade da mandatária é mediana. A imprensa do país sofre censura em pleno século 21 e a economia está no departamento médico. Em meio a este cenário, Cristina deve anunciar sua candidatura ao governo no início do torneio. E, claro, pegar uma carona no desempenho da seleção de futebol. Portanto, para o bem dos argentinos. Brasil, só a vitória interessa.

HENRIQUE TERRA

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Caminhando e cantando

Esta foi uma semana bastante agitada no futebol brasileiro e mundo a fora também. O Barcelona nos brindou com o melhor do futebol ao conquistar o título máximo na Europa. Por aqui tiveram início as finais da Copa do Brasil e o Santos de Neymar garantiu vaga na final da Libertadores. O planeta torce pelo peixe. Tudo para termos um duelo entre Messi e Neymar do outro lado do mundo. E para completar a semana, a FIFA reuniu os “ditadores” do futebol para as eleições na entidade. E é justamente o circo armado em Zurique, o nosso assunto principal.

Muita gente viu ou pelo menos ouviu dizer por ai as poucas notícias sobre os escândalos de corrupção na FIFA. Isso porque os principais grupos de comunicação do país não podem tratar a fundo o caso. O motivo dessa indiferença: contratos de exclusividade com a entidade que gerencia o futebol no mundo e com a CBF também. Desde 2002, a Copa do Mundo é transmitida em qual canal aberto? Isso é um contrato de exclusividade e dos mais caros. Mas nem todos são convidados e acabam ficando de fora da farra. Ainda bem, pois são esses excluídos que nos relatam a verdade.

Quarta feira, Joseph Blatter foi mantido mais uma vez no trono, não da para dizer que ele foi eleito. Desde 1998, ele comanda a entidade. As eleições foram realizadas em meio às denúncias de suborno. E o que é pior há informações de que o Catar teria comprado o direito de sediar a copa de 2022. Durante a reunião da FIFA, a Inglaterra tentou frear o pleito, mas foi barrada por um lobby favorável a Blatter. Os insurgentes foram os presidentes das Federações do Congo, Benin, Haiti, Fiji, todos campeões mundiais. Uma piada.

Mas o que me entristece não é essa ditadura no futebol mundial. O jornal Estado de S. Paulo mandou um repórter para cobrir as eleições da FIFA. Ao entrar no site do “estadão” para acompanhar as notícias de Zurique, a vergonha. 20 anos após a abertura política no país, o jornal está sob censura há 672 dias. Um diário com mais de um século de existência, que atravessou e sobreviveu a época dos militares no Brasil, mas em 2011 está proibido pela justiça de se expressar livremente.

Henrique Terra

domingo, 22 de maio de 2011

Sujeito a chuvas e trovoadas

Esta é a previsão para o Campeonato Brasileiro que começa hoje. A principal competição do país do futebol promete oscilar do início ao fim. Alias, o único campeonato nacional que começa sem um ou dois grandes favoritos, como de costume na Europa. Mas infelizmente, mais uma vez, o Brasileirão começa tendo que dividir atenção com outras competições. A bola nem rolou e tem clube preocupado com Copa do Brasil e Libertadores. E para tirar o sono de muito treinador e torcedor, logo teremos a Copa América e uma janela de transferência por onde sempre fogem grandes jogadores.

Ainda sonho com um Campeonato Brasileiro organizado, não somente no regulamento, mas no calendário e nas regras de transferência. Entretanto parece que ainda falta muito para o Brasileirão se tornar um grande produto tipo exportação. Um campeonato que se torne interessante para torcedores de outros países. Que o interesse estrangeiro não se resuma apenas aos nossos pés de obra. Mas sim pela tradição dos clubes, a atração e pela equilibrada competição. Da mesma maneira que nós assistimos daqui do outro lado do Atlântico, os campeonatos europeus.

Logo na primeira rodada, grandes clássicos. O atual campeão Fluminense recebe o maior ganhador da era pontos corridos, o São Paulo. Mas este confronto vai ser em São Januário, casa do Vasco da Gama. Isso mesmo, este também será o campeonato dos “sem estádios”. Um campeonato Brasileiro sem Marcanã, sem Mineirão, entre outros campos que passam por reformas. E mesmo sem as principais praças esportivas, o preço do ingresso para esse ano é o mais caro de todos. Para se ter uma idéia, o valor da entrada de 2003 até aqui subiu 152%.

Mesmo diante de tantas contradições, o Campeonato Brasileiro deixa um país de dimensões continentais ansioso. É uma final do início ao fim, todos os jogos tem o mesmo peso, o mesmo valor. E já que nós brasileiros nos acostumamos a pagar muito e se contentar com pouco, deixemos as diferenças e lado e vamos torcer. Torcer para que este seja um baita campeonato, emocionante do início ao fim. E que derrube todas as previsões.

Henrique Terra

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A favor dos estaduais

Reta final dos campeonatos estaduais e como já era esperado, só restaram os grandes Brasil a fora. Nessas horas em que a rivalidade se aflora entre as torcidas e os clássicos aparecem, ninguém bota a boca no trombone para criticar os certames regionais. Eu sou um zagueiro, zagueiro ao defender a continuidade dos estaduais. Um tipo de competição que existe somente em terras tupiniquim. País cujo povo respira futebol e é capaz de se enxergar por meio de um único esporte. O que seria das cidades do interior sem um time disputando um campeonato estadual?

Mas a competição regional vai além da paixão do brasileiro, da unificação dos povos através do futebol. Um campeonato estadual é, sobretudo, importante para os grandes clubes, faz bem ao brasileiro e é nascente perene de grandes craques. Atualmente temos poucos campeões mundiais em ação no Brasil, mas quem descobriria o Rivaldo, senão a bela campanha do Mogi Mirim no paulistão de 1992. Não precisamos ir tão longe, o Democrata lançou para o mundo da bola dois artilheiros do Campeonato Mineiro, Gilmar e Fábio Junior. Exemplo de grandes revelações no interior não falta. A seleção brasileira está cheia deles.

Além dos craques, o interior também forma grandes treinadores que os estaduais revelam para os grandes clubes. Não é mesmo Luxemburgo, Ney Franco, Mano Menezes e companhia. Mas os estaduais não nos remetem apenas a boas lembranças. Mas por culpa dos organizadores. A falta de recursos, patrocínio e coragem também contribuem para o empobrecimento do futebol regional, o que aumenta a margem para os críticos do formato. No Brasil, o ano do futebol deveria ter uns 500 dias para abrigar com qualidade todas as competições.

Sem apoio, a cada ano que passa, os estaduais perdem a força e o prestígio. Mas não devem acabar jamais, para o bem do futebol brasileiro. Afinal, o que seria dos times brasileiros após o vexame na libertadores se não restasse os estaduais? Cruzeiro, Internacional e Grêmio podem atenuar a fatídica eliminação no torneio continental com a conquista do estadual.

Henrique Terra

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tempo de refletir

A semana santa começou com um milagre. A permanência do Democrata na elite do futebol mineiro só foi possível graças à interferência de um poder superior. Pode até parecer exagero, mas repare que todo mundo na cidade só se fala em: milagre, milagre!! A única vitória do time na competição teve um sabor especial, mas não apaga a má campanha e o sofrimento do torcedor ao longo do campeonato. A via crucis do Democrata pelas Minas Gerais em 2011 deve servir de exemplo para os próximos anos.

Desde o início da preparação do time, uma sucessão de erros. A começar pela parceria com o Botafogo, reprovada por boa parte da torcida. A propagando foi muito boa. Pré-temporada no Rio de Janeiro, amistosos de peso, mas os resultados já indicavam algo de errado. O parceiro encheu o time de jogadores sem compromisso nenhum com a tradição e história do Esporte Clube Democrata. O início foi tão desgovernado que sobrou até pro poste na Avenida Minas Gerais e o inexperiente comandante rodou na terceira rodada.

O torcedor valadarense merece e exige respeito. Ingressos a R$ 15, R$ 45 para ver o jogo do setor que causa arrepios ao torcedor. Erro de planejamento. Observe: a primeira rodada, jogo contra América de Teófilo Otoni. Público de 4.975 torcedores, para uma renda de R$ 38.977. Ingressos a R$ 15. Já no jogo contra o Galo, os ingressos foram inflacionados, a cadeira chegou a custar R$ 100. A chance de lotar o Mamudão e faturar foi desperdiçada. O jogo mais esperado foi acompanhado de perto por 2.332 torcedores, o que rendeu ao time uma renda de R$ 38.410. Ou seja, o caçula América vale mais do que o tradicional Atlético Mineiro. (fonte FMF)

Mas digamos que o Democrata foi e voltou, ressuscitou. Para os mitológicos, não apegados aos símbolos religiosos, ressurgiu das cinzas. A imagem do massagista Getúlio Anacleto de joelhos orando a beira do campo simboliza a vitória do time contra o intruso Funorte. À diretoria do clube desejo sorte e torço para que o Democrata tenha dias melhores no futuro. Pra conduzir futebol no interior tem que ter peito. Mas para fazer futebol em qualquer lugar do mundo tem que haver uma harmonia entre o clube, a torcida e a tradição.

Henrique Terra

Soy loco por ti América 21-03-09

Essa não é mais uma história retratando o sonho americano de meus conterrâneos. Tampouco letra de música ou novela. Embora não pareça, fique tranqüilo, estou falando de futebol. Sempre me chamou atenção a quantidade de clubes fundados no futebol brasileiro com o nome de América. Aproveitando a estada de um deles na cidade, vou levantar essa bola. Apesar da bola jogada pelos inúmeros xarás está murcha há muito tempo. E pensar que tudo começou com um cosmógrafo italiano, desbravador de oceanos. Américo Vespúcio, a ele toda a glória. Pois o nome do continente é em homenagem ao bravo e se não fosse ele não existiriam os Américas no país do futebol.

O primeiro clube de futebol no mundo a pegar emprestado o nome do continente foi o América do Rio. Em setembro de 1904 nasceu o pai de todos os Américas Futebol Clube. Não se imaginava no início do século XX que a idéia de jovens tijucanos seria tão copiada. E tem cada uma sobre os Américas Brasil a fora. Se não fosse América, o adversário de hoje do Democrata se chamaria Arlequim, Guarani ou Timbiras. O América capixaba nem existe mais. Essa também é uma coincidência entre os Américas, muitos foram fundados e outros tantos fechados. A quantidade exata de Américas no futebol brasileiro é uma dízima periódica. Assim como o tempo de permanência do treinador Amadeu Teixeira a frente do América manauara, dizem por lá que o homem ficou 50 anos no comando do time.

Diabo, dragão, coelho, periquito e um cavalo alado. Esses são só alguns dos mascotes que representam os Américas pelo Brasil. E se aqui existe aos montes, lá fora o nome América não é muito utilizado não. Existem apenas dois Américas, o do México e o da Colômbia. E, diga-se de passagem, os Américas estrangeiros são de fato grandes. Os nossos, sequer há um disputando o campeonato brasileiro da primeira divisão. Apenas o América potiguar ainda mantém acesa a chama disputando a série B.

Pobre torcedor americano, peça raríssima. Espécie em extinção no futebol brasileiro. A propósito você conhece alguém que torça pelo América? Tenho certeza que hoje no mamundão poucos serão os americanos. Pelo América só sendo louco mesmo. Mas fica a gratidão aos inúmeros e simpáticos Américas Brasil a fora, o folclore do futebol agradece. América é história que não se acaba e futuro que não chega.


*esta foi escrita as vesperas do confronto entre Democrata e América BH em 2009.




sexta-feira, 8 de abril de 2011

Hay que endurecer pero sin perder la ternura

A frase é famosa né? Assim como o autor, que foi um profundo conhecedor da América Latina. Ainda jovem Ernesto Guevara já revelava sua vocação e preocupação com o continente. A história da vida de Che não é mistério para ninguém. Se ele foi herói, um guerrilheiro ou mito, por ora não me interessa. Cito Che Gevara por outro motivo: O argentino de sangue quente ensinou a lutar pelas terras americanas com bravura e ternura. E este exemplo deveria ser seguido pelos times brasileiros ao entrar em campo pela Copa Libertadores da América.

Mas o que se vê a cada partida dos times brasileiros na competição é totalmente o contrário. Um nervosismo inexplicável de cada jogador. E quando a partida é contra um time argentino ou uruguaio, “vixe”, nem se fala. Mas também nossos atletas cresceram ouvindo no rádio e vendo na TV que jogo de Libertadores é guerra; uma batalha. Nada disso, independente da competição, o futebol se decide é com inteligência e bola na rede. É com força, mas muito mais habilidade e ternura do que rancor pelo adversário.


Por conta de outros fatores, mas também pela falta de inteligência dos times brasileiros, poderemos ter apenas duas equipes na próxima fase da principal competição do continente. O Cruzeiro já está garantindo nas oitavas, mas longe de ser o exemplo. Recentemente, a intolerância dos jogadores celestes entregou o título continental de bandeja para os malandros conterrâneos de Tche.


Quarta feira, o guerreiro Neymar marcou mais um gol histórico. Mostrou que sua arte refinada, destinada a poucos mortais. Mas ele ainda é jovem e não sabe guerrear. Entrou em campo nervoso e logo perdeu a cabeça, numa “batalha” isso é imperdoável. Se o jovem infante brasileiro e seus companheiros encarassem a partida apenas como um simples confronto e não uma guerra, o Santos não passaria pelo sufoco que passou. Assim como Fluminense que praticamente estendeu o pano branco nas Laranjeiras.


HENRIQUE TERRA

sexta-feira, 25 de março de 2011

Direito de ir e ver 25/03/11

A CBF marcou algumas partidas do Campeonato Brasileiro para as nove horas da noite, um horário diferente para nossos padrões culturais. Difícil de acreditar, né? Mais difícil ainda de ir ao estádio a essa hora. Cada vez mais estão tirando a liberdade do torcedor, cerceando o direito do brasileiro ir a campo acompanhar seu time de perto. Liberdade é direito fundamental. Está cunhada na Carta Magna, a nossa Constituição Federal, de 1988.

Carta que entra na flor da idade; invade a juventude, vive a alegria dos vinte e poucos anos, mas que se demonstra amadurecida. Quem sabe na próxima, se houver, a nova Constituição da República possa separar uns artigos e incisos para reger o futebol. Esporte fundamental e básico para a sobrevivência de qualquer nativo deste país. Quem comanda o futebol brasileiro está preste a decretar um estado de sítio às avessas. Tamanha a confusão.

Mas pensando bem, nossos legisladores não estão com essa bola toda também não. Imaginem o constituinte Tiririca propondo normas, assinando uma nova Constituição. A confusão do futebol deveria ser questionada por meio de uma ação popular. Com a palavra, o torcedor. Deixa o brasileiro de verdade, apaixonado por futebol decidir pelo horário dos jogos. Basta que a CBF, a emissora (s) de TV e seus interesses comerciais decidam pela vida do torcedor. Quer coisa mais chata que essa briga pelos direitos de transmissão que está sendo travada nos bastidores.

Não tem cabimento, por exemplo, um torcedor de BH sair da capital numa quarta feira para assistir um jogo em Sete Lagoas as dez da noite. Esse coitado só vai chegar em casa por volta das duas horas da madrugada. O mesmo exemplo serve para o paulistano que mora na zona leste e tem que ir ao Morumbi ver um jogo no meio de semana. Deixem o torcedor ser livre, ir e ver o seu jogo; preocupando apenas com o desempenho do time em campo.

HENRIQUE TERRA

Atlético penso, logo desisto 01/11/08

Esta foi escrita no fim do ano do centenário, o Galo atravessava uma fase muito ruim.


A maior sensação que paira sobre a cabeça dos torcedores atleticanos há algum tempo, sem dúvida é a de dúvida. Interrogações palpitam o tempo todo no cotidiano do Galo mineiro. O torcedor se indaga, a cada partida, a sua existência dentro da sociedade. Ainda há espaço para o atleticano no universo das discussões sobre a bola? O que acontece com esse clube de tanta tradição e de torcida tão apaixonada? Estas respostas podem está tão distante que nem Descartes e seus amigos filósofos conseguiriam desvendá-las. Mas calma atleticano pagador de promessas e ingressos. Filosofia e futebol só se misturam no vocabulário de jogador tentando explicar pensamento de treinador.

Atleticano, logo insisto e, sobretudo acredito. Esse é o sentimento indubitável dos alvinegros. Chegar a duvidar do time e da capacidade dos jogadores é normal e faz parte. Além do mais, a cobrança vindo das arquibancadas atleticanas é um show. O que gera uma dúvida mortal aos imortais do setor da lagoa no Mineirão é entender o motivo de estarem fazendo isso há anos com este galo centenário. Time que nasceu para honrar o nome de Minas no cenário esportivo mundial.

Planejamento, logo existo. Isso não é apenas uma filosofia de botequim é a realidade do futebol. Planejar não é somente definir local de pré temporada, contratar jogadores e um treinador. Planejamento no futebol é conduzir de maneira harmônica o patrimônio, o futebol e a torcida do clube. Com o perfeito funcionamento desta tríade, sem dúvida, os resultados aparecem. Torcedor, que luta com toda raça pra vencer, duvide sempre dos dirigentes e dos jogadores, mas nunca da força do Atlético.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Lusíada Tupiniquim 22-11-08 (uma das melhores)

Mais uma vez os portugueses pararam no Brasil. Os bravos lusos chegaram como heróis a capital da Ilha de Vera Cruz. Vasco da Gama atendia por Cristiano Ronaldo. Como numa dedicatória em tom de agradecimento a Dom Felipão, os portugueses aportaram a nau em pleno planalto central pensando em reviver 1500, período em que eles ditaram as regras. Desta vez não foi por acidente, tudo já estava descoberto. Se os jogadores ibéricos não encontraram ouro e prata, tão pouco mulatas. Mas algo reluzente e valoroso eles puderam ver bem de perto, o futebol brasileiro.

Como sugeriu Camões, o herói daquele jogo foi o coletivo. E os guerreiros vestiam amarelo, as cores do manto mais famoso e glorioso dos sete mares do planeta bola. Se a intenção era chegar até as índias, a viagem teve que ser abortada. A trombada com o gigante Adamastor do futebol fez com que os grandes navegadores perdessem o rumo. A tempestade chegou ainda na primeira parte do jogo. Vênus e suas ninfas não conseguiram seduzir o ímpeto de Kaká, Robinho e Luis Fabiano. Os marinheiros viram a embarcação naufragar.

Candidato a herói do ano no mundo do futebol, Cristiano Ronaldo muito falou e pouco fez. Talvez ainda não esteja preparado o suficiente para desbravar terras além mar. Quem já cruzou o Atlântico e é herói no novo e velho continentes disse pouco, mas dentro de campo ao lado se seus companheiros fez muito. Kaká mostrou que não é qualquer português que vai invadir nossa praia. No intervalo do jogo durante o concílio dos deuses, deus Pelé intercedeu pelo show brasileiro. A segunda etapa foi uma calmaria. A seleção naquele dia jogou por poesia.

Simétricos como os versos de Camões, o futebol dos jogadores da seleção fluiu como há muito não se via e lia. Os brasileiros, heróis desta epopéia chamada futebol, provaram mais uma vez que ainda são e serão os melhores. Rivalidade entre Brasil e Portugal, penso que só existe nas velhas piadas. No futebol, eles ainda têm muito que navegar e descobrir. Quando esse tempo chegar, não tenho dúvida, que mais uma grande obra poética virá.

O Brasil da Copa no Brasil

Uma semana em Natal é fundamental para qualquer ser humano começar bem o ano. Mas estar diante das belas praias de água quente do litoral potiguar não serviu apenas como descanso. Ir até a esquina do país representou também um grande passeio pelo Brasil da Copa no Brasil. Falta pouco, em menos de quatro anos, muita coisa ainda deve ser ajustada para o evento. Natal é uma cidade sede, vai receber no máximo três jogos, mas parece que ninguém avisou isso a eles ainda.

Andar pela cidade é fácil, o transporte público funciona, as vias são largas e bem sinalizadas, mas não existe metrô. Por lá há dois grandes problemas a serem resolvidos até a Copa: o estádio e o aeroporto. Durante os dias que estive em Natal, o ministro dos esportes, Orlando Silva, também passou por lá. Encantou-se com as dunas e considerou como positivo as obras em Natal, mas que obras “cabra da peste”?

O velho Machadão é bem localizado, tem fácil acesso, mas sofre com problema de estacionamento. Fato que presenciei, pois cheguei em dia de “clássico rei”, América x ABC. Os abecedistas levaram a melhor. O complexo que ainda abriga o poliesportivo Machadinho vai dar lugar ao Estádio das Dunas que está somente no papel, enquanto Mineirão e Maracanã já passam por obras. A vida por lá é tranqüila, os moradores esperam ansiosos pelo mundial da FIFA, mas as coisas precisam acontecer.

O aeroporto internacional Augusto Severo é pequeno não comporta um tráfego intenso. Por isso já estão providenciando uma base maior em São Gonçalo do Amarante há 20 quilômetros da capital. Só que esta obra se arrasta desde 1997 e tem prazo para conclusão somente em 2014. Parece piada, né? Ainda em relação aos aeroportos, o de Confins e Campinas, outros dois por onde passei, são bons. Já comportaria razoavelmente o movimento de uma Copa do Mundo. Mas o Brasil da Copa no Brasil precisa avançar muito ainda.