sexta-feira, 2 de setembro de 2011

#FORÇARICARDOGOMES

Não importa se o AV é C ou E, da no mesmo. A gravidade do acidente vascular do treinador do Vasco da Gama, Ricardo Gomes a gente deixa para os especialistas. O que deve ser destacado nesse momento é o derrame de mensagens positivas a favor do técnico cruzmaltino. Uma ernorme corrente pra frente foi formada na internet. Não há uma ser humano, nesse país do futebol, que não se sensibilizou aos ver aquela cena a beira do castigado gramado do Engenhão, no último clássico das multidões. Essa pelo menos foi a sensação que tive, ao ver o ex zagueiro Ricardo Gomes passar mal pela segunda vez no comando de um time.
Mas infelizmente, as regras estão cheias de exceções. A começar dentro do próprio Estádio Olímpico João Havelange. O árbitro da partida, Péricles Bassols, sequer parou o jogo para o socorro ao treinador vascaino. Em entrevista, disse não ter percebido a entrada da ambulância, que demorou a chegar. Aliás, UTI móvel de fachada. A queda de rendimento dos jogadores do Vasco foi nítida. Mas para o juizão, tudo normal, segue o jogo.
E o que realmente destoou foi a reação de meia duzia de flamenguistas que gritaram contra Ricardo Gomes. Tiveram a infeliz idéia de bradar: "Uh vai morrer". Em um momento extremamente delicado uma minoria resolve chamar atenção em meio a maioria consternada. Da torcida rubronegra pode se esperar de tudo, desde a criatividade ao cunhar bordões como: Obina é melhor do que Eto'o. Até a falta de inspiração ao parodiar uma música usada na propagando do regime militar brasileiro.
O importante nessas horas é reconhecer que Ricardo Gomes contribui com a história do futebol brasileiro, como bom zagueiro que foi na seleção e nos clubes que defendeu. Mais do que um "beque classudo", um atleta de caráter. E que começava a se despontar na carreira de treinador. Não da pra saber se Ricardo volta a comandar o Vasco, mas desde já estamos todos na torcida pela recuperação plena do grande Ricardo Gomes. #forçaricardogomes

HENRIQUE TERRA 02-09-11

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

CUSTO vs. BENEFÍCIO

No Brasil este duelo é um dos mais tradicionais e antigos. O Custo tem larga vantagem sobre o Benefício. O torcedor mais realista já não vê mais rivalidade no clássico, mas sim uma disparidade. Há uma diferença absurda entre o número de vitórias do time do Custo sobre a equipe do Benefício. Os investimentos ao CFC (Custo Futebol Clube) sempre foram maiores. É dinheiro que sai de onde a gente menos imagina. E até de onde todos sabemos, do nosso bolso. Fonte perene de renda para o Custo. Enquanto isso, o Benefício, mesmo tendo maior torcida, nunca foi grande.

Com a chegada da Copa do Mundo no Brasil, a corrente para uma fusão dos dois times é grande. Mas no país do futebol, todos sabem que Custo e Benefício jamais andarão juntos. Os dirigentes e torcedores do Vergonhão, como é conhecido o Custo Futebol Clube, não costumam se misturar aos apaixonados pelo Benefício. São pessoas que não aprenderam a dividir, repartir a glória. Aliás, essa postura ilustra bem aquela velha máxima: uns com tanto outros com tão pouco.

Dia desses o Brasil recebeu a cúpula do futebol mundial para realizar o sorteio das eliminatórias da Copa. Uma festa de gala, muitos dirigentes e puxadores de saco do Vergonhão estavam presentes. Mas o que parecia ser um simples evento pré-Copa do Mundo, na verdade foi mais um ato de irresponsabilidade dos organizadores do mundial. A CBF tem 10 patrocinadores e 2 parceiros comerciais. Mesmo assim foram gastos R$ 30 milhões dos cofres públicos com o sorteio. Um custo deste tamanho gerou qual benefício?

A construção dos estádios para a Copa de 14 é uma piada de mau gosto contra o contribuinte brasileiro. Os custos das obras não param de elevar. A maior parte dos estádios vai ser construída com dinheiro público. Gastos que há três anos os governantes garantiram que não aconteceria. A cidade francesa de Bordeaux está construindo um estádio idêntico ao “Itaquerão”. O valor da obra não chega nem perto da metade que será gasto para construir o estádio do Corinthians. A Copa vem ai e enquanto isso o Custo segue goleando o Benefício no Brasil.

HENRIQUE TERRA

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Um Tostão de sabedoria

No dia 30/06/1999, três anos antes da seleção brasileira levantar o penta, uma promessa do futebol mundial mostrava o cartão de visitas com a amarelinha. Na Copa América do Paraguai, o Brasil duelava contra a Venezuela em Ciudad del Este. Aos 25 minutos do segundo tempo, com a fatura já definida, Alex deu lugar ao camisa 21 Ronaldinho. O resto da história todo mundo lembra, né? Chapéu, golaço, soco no ar, pois é. Há 12 anos atrás, Ronaldinho era apenas mais um menino atrevido que apareceu na base do Grêmio e que vira e mexe surge por ai.

Ao entrar em campo naquela noite, Ronaldinho tinha ao seu lado Rivaldo, Ronaldo, Amoroso, Cafu, Roberto Carlos, Emerson, Dida e eu não vou falar os demais porque até o Odvan tava nessa seleção. Mas o fato é que a ele só restava se divertir, mostrar o que ele tinha de melhor. A responsabilidade estava com as feras, os mais experientes. E essa é a regra, mas que agora virou exceção no futebol brasileiro. Quando Ronaldo chegou, ele tinha Romário, Bebeto, Dunga e mais um monte de monstro. Quando Pelé foi chamado, ele ficou no banco, quem mandava era Didi e cia.

Atualmente a responsabilidade está com as promessas. Jogadores que recebem essa definição, porque ninguém sabe se realmente serão os novos Romários, Ronaldos ou Rivaldos do futebol brasileiro. Não é justo, o Neymar carregar nas costas a seleção nesta Copa América da Argentina. O Pato não merece sair vaiado de campo ao ser substituído. O Paulo Henrique Ganso não tem que pagar sozinho pela falta de criatividade no futebol brasileiro nos últimos anos. Esses três jogadores, para não citar outros, mal completaram vinte e poucos anos.

Aliás, a melhor definição para esse momento da seleção está nas palavras do sábio Tostão, que essa semana escreveu na Folha de S. Paulo: “Quando jovens com grande talento, como Neymar e Ganso, chegavam à seleção, havia craques consagrados para ajudá-los. Aos poucos, eles conseguiam seu lugar. Agora, os dois são tratados como se já fossem estrelas da seleção, antes de terem sido”.


HENRIQUE TERRA

sexta-feira, 1 de julho de 2011

FUTEBOLFOBIA

Homofobia é o assunto do momento e nessas horas não da pra ficar em cima do muro. Claro que vou tirar meu time do armário e colocá-lo em campo para também participar dessa mesa redonda, cada vez mais polêmica. Ah, eu respeito a sua opinião, mas não quer dizer que devo concordar. O importante é ter mente aberta, livre de qualquer preconceito. Vamos aprender a respeitar a diversidade humana. O cruzeirense não tem sempre que desejar o mau ao atleticano. E vice e versa, afinal clássico é clássico. E essa rivalidade aflorada, esse ódio reprimido, a violência contra o adversário que cada vez mais tem espantado os torcedores dos estádios. Gerando uma, não assumida, fobia ao futebol por parte de muitos brasileiros.

Mas a maioria insiste em não assumir. Gremista brigando com colorado na arquibancada soa como a coisa mais natural, mas não. Ta errado! O torcedor adversário não é melhor e nem pior. Todos somos iguais, com opções diferentes. Mas a fobia ao futebol não cresce somente no Brasil. Até mesmo na Argentina, considerado um país mais aberto, há vários desfavores a bandeira do respeito. Tenho certeza, que muitas pessoas que estavam no Monumental de Nunez no último domingo, não voltarão a um estádio tão cedo. Assim como muitos paranaenses que já viram de perto um “atletiba”, ao final de jogo a sensação é a pior de todas.

Futebol é alegria, distração, não pode gerar uma fobia às pessoas. Estádio é local para extravasar, chorar e rir. Os adeptos do futebol estão precisando voltar ao tempo do Zezé, quando apenas se cogitava se ele era ou não. Não havia afirmação, discriminação. Olha a cabeleira do Neymar, será que é?

Brincadeiras a parte, mas o assunto é muito mais sério do que se imagina. O futebol tem sido cenário para várias manifestações de preconceito. Intolerância contra a raça mundo a fora, em pleno século XXI. No país, o que o Richarlisson escuta a cada jogo não é brincadeira. A perseguição ao jogador extrapolou as quatro linhas. Isso é preconceito. Pare e pense, você amante do futebol. Cada vez mais crianças, adolescentes e adultos estão virando as costas para o futebol no Brasil. O futebol brasileiro precisa evoluir, já!

HENRIQUE TERRA

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Só a vitória interessa

No dia primeiro de julho a Argentina volta a ser o centro das atenções no mundo do futebol. O início da Copa América não desperta interesse apenas no continente sul-americano, mas também no velho mundo. Os europeus vêem para observar e azarar os craques que vão disputar a competição. Mas como todo torneio de futebol na Argentina, o jogo, a bola e a torcida são apenas detalhes. Os interesses políticos insistem em falar mais alto. Este é um ano de eleições presidenciais no país. E para piorar o cenário, Julio Grondona, “dono” da AFA espera se eleger pela oitava vez como mandatário da CBF deles. Diante desses dois processos, não tem como deixar de associar a Copa América de 2011 ao mundial de 1978.

O título lá em cima é uma alusão ao lema da seleção argentina na Copa de 78. Idealismo passado pelo General Videla, presidente do país à época e bradado dentro do vestiário por César Luis Menoti, técnico da seleção hermana. O país atravessava uma enorme crise, um período ditatorial. A realização da copa era um desafio político já que a Argentina era alvo de críticas do mundo todo. França, México e Holanda ameaçaram não participar do mundial. A preocupação em mudar a imagem política do país era tão grande, que no fim da década de 70, os argentinos ainda não tinham TV em cores, mas todo o mundo acompanhou os jogos em imagens coloridas. O governo militar investiu pesado no sistema de transmissão das partidas para maquiar a imagem argentina mundo a fora.

Videla escondia os problemas do país atrás dos jogos da copa. Iludia o povo argentino com a paixão pela seleção de futebol. Um verdadeiro contraste. O tapete verde dos cassinos de Mar Del Plata causavam inveja nos gramados onde os craques desfilavam. Os erros de arbitragem a favor da Argentina só aumentavam as suspeitas sobre a influência do governo militar na competição. Somente a Argentina poderia ser a campeã. Às vésperas da Copa América, o país vizinho passa por muitas dificuldades. Abandonou a ditadura, mas os antigos ideais ainda assombram a margem do Rio Prata.

As províncias que receberão os jogos são governadas por partidários da presidente Cristina Kirchner. A popularidade da mandatária é mediana. A imprensa do país sofre censura em pleno século 21 e a economia está no departamento médico. Em meio a este cenário, Cristina deve anunciar sua candidatura ao governo no início do torneio. E, claro, pegar uma carona no desempenho da seleção de futebol. Portanto, para o bem dos argentinos. Brasil, só a vitória interessa.

HENRIQUE TERRA

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Caminhando e cantando

Esta foi uma semana bastante agitada no futebol brasileiro e mundo a fora também. O Barcelona nos brindou com o melhor do futebol ao conquistar o título máximo na Europa. Por aqui tiveram início as finais da Copa do Brasil e o Santos de Neymar garantiu vaga na final da Libertadores. O planeta torce pelo peixe. Tudo para termos um duelo entre Messi e Neymar do outro lado do mundo. E para completar a semana, a FIFA reuniu os “ditadores” do futebol para as eleições na entidade. E é justamente o circo armado em Zurique, o nosso assunto principal.

Muita gente viu ou pelo menos ouviu dizer por ai as poucas notícias sobre os escândalos de corrupção na FIFA. Isso porque os principais grupos de comunicação do país não podem tratar a fundo o caso. O motivo dessa indiferença: contratos de exclusividade com a entidade que gerencia o futebol no mundo e com a CBF também. Desde 2002, a Copa do Mundo é transmitida em qual canal aberto? Isso é um contrato de exclusividade e dos mais caros. Mas nem todos são convidados e acabam ficando de fora da farra. Ainda bem, pois são esses excluídos que nos relatam a verdade.

Quarta feira, Joseph Blatter foi mantido mais uma vez no trono, não da para dizer que ele foi eleito. Desde 1998, ele comanda a entidade. As eleições foram realizadas em meio às denúncias de suborno. E o que é pior há informações de que o Catar teria comprado o direito de sediar a copa de 2022. Durante a reunião da FIFA, a Inglaterra tentou frear o pleito, mas foi barrada por um lobby favorável a Blatter. Os insurgentes foram os presidentes das Federações do Congo, Benin, Haiti, Fiji, todos campeões mundiais. Uma piada.

Mas o que me entristece não é essa ditadura no futebol mundial. O jornal Estado de S. Paulo mandou um repórter para cobrir as eleições da FIFA. Ao entrar no site do “estadão” para acompanhar as notícias de Zurique, a vergonha. 20 anos após a abertura política no país, o jornal está sob censura há 672 dias. Um diário com mais de um século de existência, que atravessou e sobreviveu a época dos militares no Brasil, mas em 2011 está proibido pela justiça de se expressar livremente.

Henrique Terra

domingo, 22 de maio de 2011

Sujeito a chuvas e trovoadas

Esta é a previsão para o Campeonato Brasileiro que começa hoje. A principal competição do país do futebol promete oscilar do início ao fim. Alias, o único campeonato nacional que começa sem um ou dois grandes favoritos, como de costume na Europa. Mas infelizmente, mais uma vez, o Brasileirão começa tendo que dividir atenção com outras competições. A bola nem rolou e tem clube preocupado com Copa do Brasil e Libertadores. E para tirar o sono de muito treinador e torcedor, logo teremos a Copa América e uma janela de transferência por onde sempre fogem grandes jogadores.

Ainda sonho com um Campeonato Brasileiro organizado, não somente no regulamento, mas no calendário e nas regras de transferência. Entretanto parece que ainda falta muito para o Brasileirão se tornar um grande produto tipo exportação. Um campeonato que se torne interessante para torcedores de outros países. Que o interesse estrangeiro não se resuma apenas aos nossos pés de obra. Mas sim pela tradição dos clubes, a atração e pela equilibrada competição. Da mesma maneira que nós assistimos daqui do outro lado do Atlântico, os campeonatos europeus.

Logo na primeira rodada, grandes clássicos. O atual campeão Fluminense recebe o maior ganhador da era pontos corridos, o São Paulo. Mas este confronto vai ser em São Januário, casa do Vasco da Gama. Isso mesmo, este também será o campeonato dos “sem estádios”. Um campeonato Brasileiro sem Marcanã, sem Mineirão, entre outros campos que passam por reformas. E mesmo sem as principais praças esportivas, o preço do ingresso para esse ano é o mais caro de todos. Para se ter uma idéia, o valor da entrada de 2003 até aqui subiu 152%.

Mesmo diante de tantas contradições, o Campeonato Brasileiro deixa um país de dimensões continentais ansioso. É uma final do início ao fim, todos os jogos tem o mesmo peso, o mesmo valor. E já que nós brasileiros nos acostumamos a pagar muito e se contentar com pouco, deixemos as diferenças e lado e vamos torcer. Torcer para que este seja um baita campeonato, emocionante do início ao fim. E que derrube todas as previsões.

Henrique Terra