Ao entrar em campo naquela noite, Ronaldinho tinha ao seu lado Rivaldo, Ronaldo, Amoroso, Cafu, Roberto Carlos, Emerson, Dida e eu não vou falar os demais porque até o Odvan tava nessa seleção. Mas o fato é que a ele só restava se divertir, mostrar o que ele tinha de melhor. A responsabilidade estava com as feras, os mais experientes. E essa é a regra, mas que agora virou exceção no futebol brasileiro. Quando Ronaldo chegou, ele tinha Romário, Bebeto, Dunga e mais um monte de monstro. Quando Pelé foi chamado, ele ficou no banco, quem mandava era Didi e cia.
Atualmente a responsabilidade está com as promessas. Jogadores que recebem essa definição, porque ninguém sabe se realmente serão os novos Romários, Ronaldos ou Rivaldos do futebol brasileiro. Não é justo, o Neymar carregar nas costas a seleção nesta Copa América da Argentina. O Pato não merece sair vaiado de campo ao ser substituído. O Paulo Henrique Ganso não tem que pagar sozinho pela falta de criatividade no futebol brasileiro nos últimos anos. Esses três jogadores, para não citar outros, mal completaram vinte e poucos anos.
Aliás, a melhor definição para esse momento da seleção está nas palavras do sábio Tostão, que essa semana escreveu na Folha de S. Paulo: “Quando jovens com grande talento, como Neymar e Ganso, chegavam à seleção, havia craques consagrados para ajudá-los. Aos poucos, eles conseguiam seu lugar. Agora, os dois são tratados como se já fossem estrelas da seleção, antes de terem sido”.