sexta-feira, 25 de março de 2011

Direito de ir e ver 25/03/11

A CBF marcou algumas partidas do Campeonato Brasileiro para as nove horas da noite, um horário diferente para nossos padrões culturais. Difícil de acreditar, né? Mais difícil ainda de ir ao estádio a essa hora. Cada vez mais estão tirando a liberdade do torcedor, cerceando o direito do brasileiro ir a campo acompanhar seu time de perto. Liberdade é direito fundamental. Está cunhada na Carta Magna, a nossa Constituição Federal, de 1988.

Carta que entra na flor da idade; invade a juventude, vive a alegria dos vinte e poucos anos, mas que se demonstra amadurecida. Quem sabe na próxima, se houver, a nova Constituição da República possa separar uns artigos e incisos para reger o futebol. Esporte fundamental e básico para a sobrevivência de qualquer nativo deste país. Quem comanda o futebol brasileiro está preste a decretar um estado de sítio às avessas. Tamanha a confusão.

Mas pensando bem, nossos legisladores não estão com essa bola toda também não. Imaginem o constituinte Tiririca propondo normas, assinando uma nova Constituição. A confusão do futebol deveria ser questionada por meio de uma ação popular. Com a palavra, o torcedor. Deixa o brasileiro de verdade, apaixonado por futebol decidir pelo horário dos jogos. Basta que a CBF, a emissora (s) de TV e seus interesses comerciais decidam pela vida do torcedor. Quer coisa mais chata que essa briga pelos direitos de transmissão que está sendo travada nos bastidores.

Não tem cabimento, por exemplo, um torcedor de BH sair da capital numa quarta feira para assistir um jogo em Sete Lagoas as dez da noite. Esse coitado só vai chegar em casa por volta das duas horas da madrugada. O mesmo exemplo serve para o paulistano que mora na zona leste e tem que ir ao Morumbi ver um jogo no meio de semana. Deixem o torcedor ser livre, ir e ver o seu jogo; preocupando apenas com o desempenho do time em campo.

HENRIQUE TERRA

Atlético penso, logo desisto 01/11/08

Esta foi escrita no fim do ano do centenário, o Galo atravessava uma fase muito ruim.


A maior sensação que paira sobre a cabeça dos torcedores atleticanos há algum tempo, sem dúvida é a de dúvida. Interrogações palpitam o tempo todo no cotidiano do Galo mineiro. O torcedor se indaga, a cada partida, a sua existência dentro da sociedade. Ainda há espaço para o atleticano no universo das discussões sobre a bola? O que acontece com esse clube de tanta tradição e de torcida tão apaixonada? Estas respostas podem está tão distante que nem Descartes e seus amigos filósofos conseguiriam desvendá-las. Mas calma atleticano pagador de promessas e ingressos. Filosofia e futebol só se misturam no vocabulário de jogador tentando explicar pensamento de treinador.

Atleticano, logo insisto e, sobretudo acredito. Esse é o sentimento indubitável dos alvinegros. Chegar a duvidar do time e da capacidade dos jogadores é normal e faz parte. Além do mais, a cobrança vindo das arquibancadas atleticanas é um show. O que gera uma dúvida mortal aos imortais do setor da lagoa no Mineirão é entender o motivo de estarem fazendo isso há anos com este galo centenário. Time que nasceu para honrar o nome de Minas no cenário esportivo mundial.

Planejamento, logo existo. Isso não é apenas uma filosofia de botequim é a realidade do futebol. Planejar não é somente definir local de pré temporada, contratar jogadores e um treinador. Planejamento no futebol é conduzir de maneira harmônica o patrimônio, o futebol e a torcida do clube. Com o perfeito funcionamento desta tríade, sem dúvida, os resultados aparecem. Torcedor, que luta com toda raça pra vencer, duvide sempre dos dirigentes e dos jogadores, mas nunca da força do Atlético.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Lusíada Tupiniquim 22-11-08 (uma das melhores)

Mais uma vez os portugueses pararam no Brasil. Os bravos lusos chegaram como heróis a capital da Ilha de Vera Cruz. Vasco da Gama atendia por Cristiano Ronaldo. Como numa dedicatória em tom de agradecimento a Dom Felipão, os portugueses aportaram a nau em pleno planalto central pensando em reviver 1500, período em que eles ditaram as regras. Desta vez não foi por acidente, tudo já estava descoberto. Se os jogadores ibéricos não encontraram ouro e prata, tão pouco mulatas. Mas algo reluzente e valoroso eles puderam ver bem de perto, o futebol brasileiro.

Como sugeriu Camões, o herói daquele jogo foi o coletivo. E os guerreiros vestiam amarelo, as cores do manto mais famoso e glorioso dos sete mares do planeta bola. Se a intenção era chegar até as índias, a viagem teve que ser abortada. A trombada com o gigante Adamastor do futebol fez com que os grandes navegadores perdessem o rumo. A tempestade chegou ainda na primeira parte do jogo. Vênus e suas ninfas não conseguiram seduzir o ímpeto de Kaká, Robinho e Luis Fabiano. Os marinheiros viram a embarcação naufragar.

Candidato a herói do ano no mundo do futebol, Cristiano Ronaldo muito falou e pouco fez. Talvez ainda não esteja preparado o suficiente para desbravar terras além mar. Quem já cruzou o Atlântico e é herói no novo e velho continentes disse pouco, mas dentro de campo ao lado se seus companheiros fez muito. Kaká mostrou que não é qualquer português que vai invadir nossa praia. No intervalo do jogo durante o concílio dos deuses, deus Pelé intercedeu pelo show brasileiro. A segunda etapa foi uma calmaria. A seleção naquele dia jogou por poesia.

Simétricos como os versos de Camões, o futebol dos jogadores da seleção fluiu como há muito não se via e lia. Os brasileiros, heróis desta epopéia chamada futebol, provaram mais uma vez que ainda são e serão os melhores. Rivalidade entre Brasil e Portugal, penso que só existe nas velhas piadas. No futebol, eles ainda têm muito que navegar e descobrir. Quando esse tempo chegar, não tenho dúvida, que mais uma grande obra poética virá.

O Brasil da Copa no Brasil

Uma semana em Natal é fundamental para qualquer ser humano começar bem o ano. Mas estar diante das belas praias de água quente do litoral potiguar não serviu apenas como descanso. Ir até a esquina do país representou também um grande passeio pelo Brasil da Copa no Brasil. Falta pouco, em menos de quatro anos, muita coisa ainda deve ser ajustada para o evento. Natal é uma cidade sede, vai receber no máximo três jogos, mas parece que ninguém avisou isso a eles ainda.

Andar pela cidade é fácil, o transporte público funciona, as vias são largas e bem sinalizadas, mas não existe metrô. Por lá há dois grandes problemas a serem resolvidos até a Copa: o estádio e o aeroporto. Durante os dias que estive em Natal, o ministro dos esportes, Orlando Silva, também passou por lá. Encantou-se com as dunas e considerou como positivo as obras em Natal, mas que obras “cabra da peste”?

O velho Machadão é bem localizado, tem fácil acesso, mas sofre com problema de estacionamento. Fato que presenciei, pois cheguei em dia de “clássico rei”, América x ABC. Os abecedistas levaram a melhor. O complexo que ainda abriga o poliesportivo Machadinho vai dar lugar ao Estádio das Dunas que está somente no papel, enquanto Mineirão e Maracanã já passam por obras. A vida por lá é tranqüila, os moradores esperam ansiosos pelo mundial da FIFA, mas as coisas precisam acontecer.

O aeroporto internacional Augusto Severo é pequeno não comporta um tráfego intenso. Por isso já estão providenciando uma base maior em São Gonçalo do Amarante há 20 quilômetros da capital. Só que esta obra se arrasta desde 1997 e tem prazo para conclusão somente em 2014. Parece piada, né? Ainda em relação aos aeroportos, o de Confins e Campinas, outros dois por onde passei, são bons. Já comportaria razoavelmente o movimento de uma Copa do Mundo. Mas o Brasil da Copa no Brasil precisa avançar muito ainda.