Mais uma vez os portugueses pararam no Brasil. Os bravos lusos chegaram como heróis a capital da Ilha de Vera Cruz. Vasco da Gama atendia por Cristiano Ronaldo. Como numa dedicatória em tom de agradecimento a Dom Felipão, os portugueses aportaram a nau em pleno planalto central pensando em reviver 1500, período em que eles ditaram as regras. Desta vez não foi por acidente, tudo já estava descoberto. Se os jogadores ibéricos não encontraram ouro e prata, tão pouco mulatas. Mas algo reluzente e valoroso eles puderam ver bem de perto, o futebol brasileiro.
Como sugeriu Camões, o herói daquele jogo foi o coletivo. E os guerreiros vestiam amarelo, as cores do manto mais famoso e glorioso dos sete mares do planeta bola. Se a intenção era chegar até as índias, a viagem teve que ser abortada. A trombada com o gigante Adamastor do futebol fez com que os grandes navegadores perdessem o rumo. A tempestade chegou ainda na primeira parte do jogo. Vênus e suas ninfas não conseguiram seduzir o ímpeto de Kaká, Robinho e Luis Fabiano. Os marinheiros viram a embarcação naufragar.
Candidato a herói do ano no mundo do futebol, Cristiano Ronaldo muito falou e pouco fez. Talvez ainda não esteja preparado o suficiente para desbravar terras além mar. Quem já cruzou o Atlântico e é herói no novo e velho continentes disse pouco, mas dentro de campo ao lado se seus companheiros fez muito. Kaká mostrou que não é qualquer português que vai invadir nossa praia. No intervalo do jogo durante o concílio dos deuses, deus Pelé intercedeu pelo show brasileiro. A segunda etapa foi uma calmaria. A seleção naquele dia jogou por poesia.
Simétricos como os versos de Camões, o futebol dos jogadores da seleção fluiu como há muito não se via e lia. Os brasileiros, heróis desta epopéia chamada futebol, provaram mais uma vez que ainda são e serão os melhores. Rivalidade entre Brasil e Portugal, penso que só existe nas velhas piadas. No futebol, eles ainda têm muito que navegar e descobrir. Quando esse tempo chegar, não tenho dúvida, que mais uma grande obra poética virá.
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