quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tempo de refletir

A semana santa começou com um milagre. A permanência do Democrata na elite do futebol mineiro só foi possível graças à interferência de um poder superior. Pode até parecer exagero, mas repare que todo mundo na cidade só se fala em: milagre, milagre!! A única vitória do time na competição teve um sabor especial, mas não apaga a má campanha e o sofrimento do torcedor ao longo do campeonato. A via crucis do Democrata pelas Minas Gerais em 2011 deve servir de exemplo para os próximos anos.

Desde o início da preparação do time, uma sucessão de erros. A começar pela parceria com o Botafogo, reprovada por boa parte da torcida. A propagando foi muito boa. Pré-temporada no Rio de Janeiro, amistosos de peso, mas os resultados já indicavam algo de errado. O parceiro encheu o time de jogadores sem compromisso nenhum com a tradição e história do Esporte Clube Democrata. O início foi tão desgovernado que sobrou até pro poste na Avenida Minas Gerais e o inexperiente comandante rodou na terceira rodada.

O torcedor valadarense merece e exige respeito. Ingressos a R$ 15, R$ 45 para ver o jogo do setor que causa arrepios ao torcedor. Erro de planejamento. Observe: a primeira rodada, jogo contra América de Teófilo Otoni. Público de 4.975 torcedores, para uma renda de R$ 38.977. Ingressos a R$ 15. Já no jogo contra o Galo, os ingressos foram inflacionados, a cadeira chegou a custar R$ 100. A chance de lotar o Mamudão e faturar foi desperdiçada. O jogo mais esperado foi acompanhado de perto por 2.332 torcedores, o que rendeu ao time uma renda de R$ 38.410. Ou seja, o caçula América vale mais do que o tradicional Atlético Mineiro. (fonte FMF)

Mas digamos que o Democrata foi e voltou, ressuscitou. Para os mitológicos, não apegados aos símbolos religiosos, ressurgiu das cinzas. A imagem do massagista Getúlio Anacleto de joelhos orando a beira do campo simboliza a vitória do time contra o intruso Funorte. À diretoria do clube desejo sorte e torço para que o Democrata tenha dias melhores no futuro. Pra conduzir futebol no interior tem que ter peito. Mas para fazer futebol em qualquer lugar do mundo tem que haver uma harmonia entre o clube, a torcida e a tradição.

Henrique Terra

Soy loco por ti América 21-03-09

Essa não é mais uma história retratando o sonho americano de meus conterrâneos. Tampouco letra de música ou novela. Embora não pareça, fique tranqüilo, estou falando de futebol. Sempre me chamou atenção a quantidade de clubes fundados no futebol brasileiro com o nome de América. Aproveitando a estada de um deles na cidade, vou levantar essa bola. Apesar da bola jogada pelos inúmeros xarás está murcha há muito tempo. E pensar que tudo começou com um cosmógrafo italiano, desbravador de oceanos. Américo Vespúcio, a ele toda a glória. Pois o nome do continente é em homenagem ao bravo e se não fosse ele não existiriam os Américas no país do futebol.

O primeiro clube de futebol no mundo a pegar emprestado o nome do continente foi o América do Rio. Em setembro de 1904 nasceu o pai de todos os Américas Futebol Clube. Não se imaginava no início do século XX que a idéia de jovens tijucanos seria tão copiada. E tem cada uma sobre os Américas Brasil a fora. Se não fosse América, o adversário de hoje do Democrata se chamaria Arlequim, Guarani ou Timbiras. O América capixaba nem existe mais. Essa também é uma coincidência entre os Américas, muitos foram fundados e outros tantos fechados. A quantidade exata de Américas no futebol brasileiro é uma dízima periódica. Assim como o tempo de permanência do treinador Amadeu Teixeira a frente do América manauara, dizem por lá que o homem ficou 50 anos no comando do time.

Diabo, dragão, coelho, periquito e um cavalo alado. Esses são só alguns dos mascotes que representam os Américas pelo Brasil. E se aqui existe aos montes, lá fora o nome América não é muito utilizado não. Existem apenas dois Américas, o do México e o da Colômbia. E, diga-se de passagem, os Américas estrangeiros são de fato grandes. Os nossos, sequer há um disputando o campeonato brasileiro da primeira divisão. Apenas o América potiguar ainda mantém acesa a chama disputando a série B.

Pobre torcedor americano, peça raríssima. Espécie em extinção no futebol brasileiro. A propósito você conhece alguém que torça pelo América? Tenho certeza que hoje no mamundão poucos serão os americanos. Pelo América só sendo louco mesmo. Mas fica a gratidão aos inúmeros e simpáticos Américas Brasil a fora, o folclore do futebol agradece. América é história que não se acaba e futuro que não chega.


*esta foi escrita as vesperas do confronto entre Democrata e América BH em 2009.




sexta-feira, 8 de abril de 2011

Hay que endurecer pero sin perder la ternura

A frase é famosa né? Assim como o autor, que foi um profundo conhecedor da América Latina. Ainda jovem Ernesto Guevara já revelava sua vocação e preocupação com o continente. A história da vida de Che não é mistério para ninguém. Se ele foi herói, um guerrilheiro ou mito, por ora não me interessa. Cito Che Gevara por outro motivo: O argentino de sangue quente ensinou a lutar pelas terras americanas com bravura e ternura. E este exemplo deveria ser seguido pelos times brasileiros ao entrar em campo pela Copa Libertadores da América.

Mas o que se vê a cada partida dos times brasileiros na competição é totalmente o contrário. Um nervosismo inexplicável de cada jogador. E quando a partida é contra um time argentino ou uruguaio, “vixe”, nem se fala. Mas também nossos atletas cresceram ouvindo no rádio e vendo na TV que jogo de Libertadores é guerra; uma batalha. Nada disso, independente da competição, o futebol se decide é com inteligência e bola na rede. É com força, mas muito mais habilidade e ternura do que rancor pelo adversário.


Por conta de outros fatores, mas também pela falta de inteligência dos times brasileiros, poderemos ter apenas duas equipes na próxima fase da principal competição do continente. O Cruzeiro já está garantindo nas oitavas, mas longe de ser o exemplo. Recentemente, a intolerância dos jogadores celestes entregou o título continental de bandeja para os malandros conterrâneos de Tche.


Quarta feira, o guerreiro Neymar marcou mais um gol histórico. Mostrou que sua arte refinada, destinada a poucos mortais. Mas ele ainda é jovem e não sabe guerrear. Entrou em campo nervoso e logo perdeu a cabeça, numa “batalha” isso é imperdoável. Se o jovem infante brasileiro e seus companheiros encarassem a partida apenas como um simples confronto e não uma guerra, o Santos não passaria pelo sufoco que passou. Assim como Fluminense que praticamente estendeu o pano branco nas Laranjeiras.


HENRIQUE TERRA