domingo, 22 de maio de 2011

Sujeito a chuvas e trovoadas

Esta é a previsão para o Campeonato Brasileiro que começa hoje. A principal competição do país do futebol promete oscilar do início ao fim. Alias, o único campeonato nacional que começa sem um ou dois grandes favoritos, como de costume na Europa. Mas infelizmente, mais uma vez, o Brasileirão começa tendo que dividir atenção com outras competições. A bola nem rolou e tem clube preocupado com Copa do Brasil e Libertadores. E para tirar o sono de muito treinador e torcedor, logo teremos a Copa América e uma janela de transferência por onde sempre fogem grandes jogadores.

Ainda sonho com um Campeonato Brasileiro organizado, não somente no regulamento, mas no calendário e nas regras de transferência. Entretanto parece que ainda falta muito para o Brasileirão se tornar um grande produto tipo exportação. Um campeonato que se torne interessante para torcedores de outros países. Que o interesse estrangeiro não se resuma apenas aos nossos pés de obra. Mas sim pela tradição dos clubes, a atração e pela equilibrada competição. Da mesma maneira que nós assistimos daqui do outro lado do Atlântico, os campeonatos europeus.

Logo na primeira rodada, grandes clássicos. O atual campeão Fluminense recebe o maior ganhador da era pontos corridos, o São Paulo. Mas este confronto vai ser em São Januário, casa do Vasco da Gama. Isso mesmo, este também será o campeonato dos “sem estádios”. Um campeonato Brasileiro sem Marcanã, sem Mineirão, entre outros campos que passam por reformas. E mesmo sem as principais praças esportivas, o preço do ingresso para esse ano é o mais caro de todos. Para se ter uma idéia, o valor da entrada de 2003 até aqui subiu 152%.

Mesmo diante de tantas contradições, o Campeonato Brasileiro deixa um país de dimensões continentais ansioso. É uma final do início ao fim, todos os jogos tem o mesmo peso, o mesmo valor. E já que nós brasileiros nos acostumamos a pagar muito e se contentar com pouco, deixemos as diferenças e lado e vamos torcer. Torcer para que este seja um baita campeonato, emocionante do início ao fim. E que derrube todas as previsões.

Henrique Terra

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A favor dos estaduais

Reta final dos campeonatos estaduais e como já era esperado, só restaram os grandes Brasil a fora. Nessas horas em que a rivalidade se aflora entre as torcidas e os clássicos aparecem, ninguém bota a boca no trombone para criticar os certames regionais. Eu sou um zagueiro, zagueiro ao defender a continuidade dos estaduais. Um tipo de competição que existe somente em terras tupiniquim. País cujo povo respira futebol e é capaz de se enxergar por meio de um único esporte. O que seria das cidades do interior sem um time disputando um campeonato estadual?

Mas a competição regional vai além da paixão do brasileiro, da unificação dos povos através do futebol. Um campeonato estadual é, sobretudo, importante para os grandes clubes, faz bem ao brasileiro e é nascente perene de grandes craques. Atualmente temos poucos campeões mundiais em ação no Brasil, mas quem descobriria o Rivaldo, senão a bela campanha do Mogi Mirim no paulistão de 1992. Não precisamos ir tão longe, o Democrata lançou para o mundo da bola dois artilheiros do Campeonato Mineiro, Gilmar e Fábio Junior. Exemplo de grandes revelações no interior não falta. A seleção brasileira está cheia deles.

Além dos craques, o interior também forma grandes treinadores que os estaduais revelam para os grandes clubes. Não é mesmo Luxemburgo, Ney Franco, Mano Menezes e companhia. Mas os estaduais não nos remetem apenas a boas lembranças. Mas por culpa dos organizadores. A falta de recursos, patrocínio e coragem também contribuem para o empobrecimento do futebol regional, o que aumenta a margem para os críticos do formato. No Brasil, o ano do futebol deveria ter uns 500 dias para abrigar com qualidade todas as competições.

Sem apoio, a cada ano que passa, os estaduais perdem a força e o prestígio. Mas não devem acabar jamais, para o bem do futebol brasileiro. Afinal, o que seria dos times brasileiros após o vexame na libertadores se não restasse os estaduais? Cruzeiro, Internacional e Grêmio podem atenuar a fatídica eliminação no torneio continental com a conquista do estadual.

Henrique Terra