O que percebemos é um texto extremamente atraente, porém muito distante das páginas de jornal. Um texto que, atualmente, não encontra espaço em uma página de jornal, a não ser em uma coluna assinada. O new journalism ou jornalismo literário tem característica própria e bem distante da forma tradicional de transformar o fato em notícia. No jornalismo literário parece que o jornalista está escrevendo em um banco da praça de cidadezinha ao passo que os outros escrevem enquanto o carro para no semáforo. A forma tradicional é aquela do lead, sub lead fácil de digerir. Um texto de leitura rápida e direcionada. Após entrar para o curso de jornalismo e descobrir as técnicas, que hoje aplico com freqüência, foi raro ler uma matéria de jornal até o final. Pois descobri que em um jornal o fato principal está no primeiro parágrafo. Diferentemente do jornalismo literário, o texto de prende. No texto destacado acima para a análise percebemos bem que a notícia aparece no terceiro e quarto parágrafo. Se entre os pesquisadores inquietos o que interessa é distinguir new journalism ou jornalismo literário, o fato é que há legitimidade nos dois formatos. Ao ler a matéria analisada percebemos no final que se trata de uma notícia. Na qual o jornalista foi a campo apurar os fatos, acompanhou o personagem e voltou para a redação para produzir o material. Entretanto o autor escreveu com técnicas distintas da tradicional. O repórter narrou os acontecimento, descrevendo cada ato como um roteiro de filme, preocupando se com cada passo e detalhe do personagem. O fato de descrever os mínimos detalhes do personagem em seu texto não é meramente um acessório de enfeite. A adjetivação, que no tradicional é vetada, no jornalismo literário serve para colocar o máximo do personagem na página do jornal. Fazendo com que ambos, notícia e leitor, se sintam aproximados. Dessa maneira o leitor compreende mais fácil e se sente atraído para a leitura do texto até o final.
Neste espaço virtual vou compartilhar algumas das minhas crônicas que são publicadas no Diário do Rio Doce desde 2008. @HTerra85 sigam me.
domingo, 2 de dezembro de 2007
Análise de "A Sangue Frio"
Em “A Sangue Frio”, Capote apresenta primeiro o cenário e os personagens, para só depois colocar a brutalidade em cena.
Investigar o cenário e em seguida as razões que movem os personagens é uma técnica consagrada pelo romance, mas esse tipo de investigação pertence também ao jornalismo, mais precisamente à reportagem. Quarenta anos depois, “A Sangue Frio” ainda surpreende e choca. Capote reconstrói com detalhes como a família Clutter foi assassinada por Perry Smith e Dick Hickock. Uma impressionante transa entre o mundo da literatura e jornalismo. À época criticado por muitos e que acabou em desuso com a evolução dos meios, mas que atualmente vem sendo defendido em faculdades de jornalismo. O estilo literário no jornalismo estudado como “novo jornalismo” de Tom Wofe é uma tendência entre os especialistas do momento. O livro mostra a história do brutal assassinato de uma família em um pequeno povoado, com tons de investigação jornalística e, sobretudo com o poder do romance em contar a história e prender o leitor. Algo que jamais se pode esperar em alguma publicação jornalística contemporânea. Pois a primeira publicação de “A sangue frio” foi em uma revista em quatro edições, para só depois virar livro e ganhar as telas de cinema.
Investigar o cenário e em seguida as razões que movem os personagens é uma técnica consagrada pelo romance, mas esse tipo de investigação pertence também ao jornalismo, mais precisamente à reportagem. Quarenta anos depois, “A Sangue Frio” ainda surpreende e choca. Capote reconstrói com detalhes como a família Clutter foi assassinada por Perry Smith e Dick Hickock. Uma impressionante transa entre o mundo da literatura e jornalismo. À época criticado por muitos e que acabou em desuso com a evolução dos meios, mas que atualmente vem sendo defendido em faculdades de jornalismo. O estilo literário no jornalismo estudado como “novo jornalismo” de Tom Wofe é uma tendência entre os especialistas do momento. O livro mostra a história do brutal assassinato de uma família em um pequeno povoado, com tons de investigação jornalística e, sobretudo com o poder do romance em contar a história e prender o leitor. Algo que jamais se pode esperar em alguma publicação jornalística contemporânea. Pois a primeira publicação de “A sangue frio” foi em uma revista em quatro edições, para só depois virar livro e ganhar as telas de cinema.
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