domingo, 2 de dezembro de 2007

Análise de "A Sangue Frio"

Em “A Sangue Frio”, Capote apresenta primeiro o cenário e os personagens, para só depois colocar a brutalidade em cena.
Investigar o cenário e em seguida as razões que movem os personagens é uma técnica consagrada pelo romance, mas esse tipo de investigação pertence também ao jornalismo, mais precisamente à reportagem. Quarenta anos depois, “A Sangue Frio” ainda surpreende e choca. Capote reconstrói com detalhes como a família Clutter foi assassinada por Perry Smith e Dick Hickock. Uma impressionante transa entre o mundo da literatura e jornalismo. À época criticado por muitos e que acabou em desuso com a evolução dos meios, mas que atualmente vem sendo defendido em faculdades de jornalismo. O estilo literário no jornalismo estudado como “novo jornalismo” de Tom Wofe é uma tendência entre os especialistas do momento. O livro mostra a história do brutal assassinato de uma família em um pequeno povoado, com tons de investigação jornalística e, sobretudo com o poder do romance em contar a história e prender o leitor. Algo que jamais se pode esperar em alguma publicação jornalística contemporânea. Pois a primeira publicação de “A sangue frio” foi em uma revista em quatro edições, para só depois virar livro e ganhar as telas de cinema.

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