sexta-feira, 3 de junho de 2011

Caminhando e cantando

Esta foi uma semana bastante agitada no futebol brasileiro e mundo a fora também. O Barcelona nos brindou com o melhor do futebol ao conquistar o título máximo na Europa. Por aqui tiveram início as finais da Copa do Brasil e o Santos de Neymar garantiu vaga na final da Libertadores. O planeta torce pelo peixe. Tudo para termos um duelo entre Messi e Neymar do outro lado do mundo. E para completar a semana, a FIFA reuniu os “ditadores” do futebol para as eleições na entidade. E é justamente o circo armado em Zurique, o nosso assunto principal.

Muita gente viu ou pelo menos ouviu dizer por ai as poucas notícias sobre os escândalos de corrupção na FIFA. Isso porque os principais grupos de comunicação do país não podem tratar a fundo o caso. O motivo dessa indiferença: contratos de exclusividade com a entidade que gerencia o futebol no mundo e com a CBF também. Desde 2002, a Copa do Mundo é transmitida em qual canal aberto? Isso é um contrato de exclusividade e dos mais caros. Mas nem todos são convidados e acabam ficando de fora da farra. Ainda bem, pois são esses excluídos que nos relatam a verdade.

Quarta feira, Joseph Blatter foi mantido mais uma vez no trono, não da para dizer que ele foi eleito. Desde 1998, ele comanda a entidade. As eleições foram realizadas em meio às denúncias de suborno. E o que é pior há informações de que o Catar teria comprado o direito de sediar a copa de 2022. Durante a reunião da FIFA, a Inglaterra tentou frear o pleito, mas foi barrada por um lobby favorável a Blatter. Os insurgentes foram os presidentes das Federações do Congo, Benin, Haiti, Fiji, todos campeões mundiais. Uma piada.

Mas o que me entristece não é essa ditadura no futebol mundial. O jornal Estado de S. Paulo mandou um repórter para cobrir as eleições da FIFA. Ao entrar no site do “estadão” para acompanhar as notícias de Zurique, a vergonha. 20 anos após a abertura política no país, o jornal está sob censura há 672 dias. Um diário com mais de um século de existência, que atravessou e sobreviveu a época dos militares no Brasil, mas em 2011 está proibido pela justiça de se expressar livremente.

Henrique Terra

Um comentário:

Bárbara Freitas disse...

Adoro seus comentários Terra. PARABÉNS!